quinta-feira, 23 de agosto de 2012

No Japão e agora no Brasil


  Talvez fosse um pecado ter matado o peixe. Suponho que sim, embora a carne fosse para me conservar a vida e para alimentar muita gente. Mas então tudo é pecado. Não pense no pecado, meu velho. [...] "Mas você não matou o peixe apenas para conservar-se vivo e o vender para alimento", pensou ele. "Matou-o por orgulho e porque é um pescador. Amava o peixe quando estava vivo, afinal ainda o ama morto. Se o ama, com certeza que não foi pecado matá-lo. Ou será ainda pior?"
                                                               Ernest Hemingway

                                                               "O Velho e o Mar"

 Em uma excelente matéria com apanhado de informações resultantes de investigação intensa, a Folha de S. Paulo denunciou esta semana a caça japonesa em águas brasileiras. Com autorização do Ministério da Pesca, comandando desde de março de 2012 por Marcelo Crivella (PRB-RJ), bispo da Igreja Universal do Reino de Deus, embarcações gigantescas vindas do Japão estão fazendo por aqui o que já fizeram por lá: dizimando os animais para vendê-los a restaurantes e indústrias de enlatados.

Comida” ou vítimas da nossa ganância?
 “Os peixes são em sua essência comida ou vida selvagem desesperadamente necessitada de nossa compaixão?”, questiona o jornalista Paul Greenberg em seu livro-reportagem “Four Fish” (Quatro Peixes). A alta lucratividade do negócio faz os pescadores “esquecerem” que estão causando extrema dor a animais inocentes e destruindo o equilíbrio dos oceanos.
 Segundo a oceanógrafa Sylvia Earle, da National Geographic Society, referência mundial em oceanografia, mais de 95% da população mundial de atum-azul já se foi e as outras espécies de atum estão seriamente ameaçadas pela pesca predatória.
Jogo político propicia o esquema
O economista paraibano Gabriel Calzavara de Araújo, ex-diretor do Departamento de Pesca e Aquicultura do Ministério da Agricultura (1998-2002, no segundo governo FHC), é dono de 2 das maiores empresas de arrendamento de embarcações estrangeiras por empresas brasileiras. Apenas uma de suas empresas, a Atlântico Tuna, que opera desde março de 2011, faturou no ano passado US$ 9 milhões com a exportação de 2.000 toneladas de atum. Sob a gestão de Gabriel, o Departamento de Pesca e Aquicultura do Ministério da Agricultura publicou o decreto 2.840, de 10/11/1998, que possibilitou a abertura do oceano brasileiro para a exploração japonesa.

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