No ritual, batizado Grindadráp – literalmente, em dialeto local, “assassinato de baleias-piloto” – e que os habitantes consideram uma tradição milenar imutável, centenas de baleias-pilotos, mamíferos aquáticos negros que podem medir entre 6 e 8 metros de comprimento, são brutal e covardemente assassinados a cada ano nas águas que margeiam as Faröe, tingindo-as de um macabro vermelho.
Um verdadeiro oceano de sangue deixado por um número de baleias mortas que pode ultrapassar as 1500 por temporada.
A técnica para encurralar os indefesos seres marinhos, sejam machos, fêmeas ou filhotes, envolve o uso de barcos, que pouco a pouco vão cercando as vítimas e as deixando sem saída. Uma vez capturadas, as baleias-piloto são dilaceradas com golpes implacáveis de enormes facas, buscando pontos vitais dos animais como a espinha dorsal.
O objetivo, segundo os responsáveis pela matança, é distribuir a carne dos animais entre a população, em cuja dieta figura há mais de mil anos. Garantem que não vendem as toneladas obtidas com a chacina.
Mas até mesmo esta justificativa é rebatida por opositores à prática. De acordo com Paul Watson, ativista responsável pela Sea Shepherd “a matança de baleias não é para subsistência, nem mesmo uma necessidade nutricional das Ilhas Faröe”. Ainda segundo Watson, “a carne da baleia-piloto é tóxica, com metilmercúrio e outros metais pesados, como chumbo, bifenilos policlorados e outros”.






